Quando os papéis se invertem

setembro 7, 2009

Sempre me considerei uma boa filha, sempre obedeci meus pais direitinho e sempre que queria sair meu pai me levava e me buscava.

Minha mãe nunca dirigiu, meu pai no último ano não apresentou mais condições para conduzir um carro e meus irmãos são casados e não moram mais conosco.  Deste modo agora eu sou a motorista oficial da casa.

Só agora estou me dando conta em como os papéis se inverteram.

Na quinta-feira eu estava trabalhando, e no final do dia toca meu telefone. Era meu pai me pedindo para levá-lo para passear no shopping à noite!

Ou seja, se meus pais querem sair, eles só saem se EU for levar, exatamente como acontecia quando eu era menor, que só saia quando ELES queriam me levar

Chegando lá, percebi como meu pai está caminhando devagar e a dificuldade que tem para entrar e sair do carro. Ele se perde facilmente no shopping, e fica confuso com muitas coisas e eu tenho que ter paciência e explicar devaga

Decidimos jantar na Vivenda do Camarão. Quando nossos pratos chegaram, percebi que o camarão dele estava frito em óleo velho, me levantei reclamei (como uma Lady, claro, odeio barracos) e o gerente muito prestativo e educado nos pediu desculpas, e trocou por um prato de camarão grelhado. O coitado do meu pai nem havia percebido que o camarão do prato anterior estava com uma aparêcia péssima.

A memória dele também não está grande coisa, então normalmente tenho que repetir umas quinhentas vezes as mesmas coisas. Me controlo para não perder a paciência, porque a idade chega para todo mundo, e para ele chegou.

É um pouco estranho me conformar que aquele que sempre foi meu herói está ficando velho, frágil e esquecido. Mas esta é a função dos filhos: Cuidar de seus pais, afinal, eles sempre cuidaram da gente.

Cuide de seus pais do mesmo jeito que você quer que seus filhos cuidem de você quando a hora chegar.

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